quarta-feira, abril 26, 2006

Horario de verão???

Outro dia me veio a pergunta: Por que diabos existe horário de verão na Finlândia??? Não é pela economia de luz, já que no verão não existe noite por aqui.

A única explicacão plausível que eu encontro é acompanhar a mudanca de fuso do resto da europa. Se alguém tiver uma explicacão mais interessante...

domingo, abril 23, 2006

Graži Lietuva (bela Lituânia)

Estou de volta à Finlândia depois de 4 dias e 5 noites na Lituânia. Bela Lituânia, belas Lituanas, por mim tinha ficado por lá mesmo...

As várias faces de Vilnius
Capital da Lituânia, Vilnius é uma cidade de meio milhão de habitantes e em plena expansão. A atual adesão à União Européia, após décadas sob o regime socialista, originou verdadeira uma explosão imobiliária, tanto em número de novas construcões como no preco dos imóveis. Mas a maior atracão da cidade é a Old Town, uma grande área do centro que constitui-se de ruas estreitas cercadas por prédios muito antigos. Também chama a atencão o absurdo número de igrejas e templos espalhados pela cidade, fruto de um grande número de grupos étnicos que se estabeleceram na cidade durante muitos séculos. A predominância, no entanto, é de igrejas católicas, nos mais diversos estilos: gótico, barroco, renacentista,...

Outra atracão do centro antigo é a Universidade de Vilnius, fundada em 1579 (uma das mais antigas da Europa). Tive a sorte de fazer um tour por dentro da universidade com um amigo da Laura que é professor lá. O campus é formado por diversos prédios, todos interligados por belos pátios, corredores e passagens subterrâneas que formam um verdadeiro labirinto (realmente não sei como os alunos acham as salas de aula). Existem muitos halls e salas com paredes altamente decoradas, algumas delas incluindo pinturas de deuzes da época pagã da lituânia ou de poetas da antiguidade.

O maior símbolo de Vilnius, Guedimidas Tower, remanescente de um castelo do século 14 com uma privilegiada vista da cidade (infelizmente o tempo estava fechado quando fui lá...)

Gates of Down, um dos antigos portais da muralha que protegia a cidade nos tempos medievais

St. Anne's Church, em seu belo estilo barroco

Estreitas ruas da cidade antiga

Outra aspecto não muito turístico mas que me fascinou bastante foi o ar de ex-República Soviética que existe em algunas partes da cidade. A maioria das pessoas mora em bairros puramente residenciais, afastados do centro e constituídos por enormes blocos de apartamentos (alguns deles em condicões de conservacão não muito boa). Também tive a oportunidade te caminhar em um bairro de imigrantes russos. A arquitetura peculiar, o tempo meio nublado e a paisagem cinza de final de inverno fizeram em me sentir em um daqueles filmes americanos da época da guerra fria.

Antigo caminhãozinho russo (bah, eu queria um desses pra mim!)

A Pascoa
Diferente do páscoa "comercial" que temos no Brasil, que as vezes parece apenas um pretesto para vender chocolates, a páscoa na Lituânia é uma oportunidade para reunir a família e amigos. Eu nem sequer vi ovos de chocolate por lá, apenas os tradicionais ovos de galinha pintados. As fainas da páscoa comecam no sábado a noite, quando a família se reune para pintar os ovos de páscoa. Existem diversas técnicas para pintar os ovos, vou descrever a mais básica e interessante que utilizamos:

1. Ingredientes: cascas de cebola, uma meia-calca velha e tinta
2. Molha-se as cascas de cebola na água e coloca aleatoriamente em volta dos ovos. Também pode-se adicionar grãos de arros, pequenas folhas de plantas ou o que vier à cabeca.
3. Coloca o ovo dentro da meia-calca e amarra a outra ponta
4. Repete-se o procedimento acima para vários ovos
5. Ferve uma panela de água, coloca a tinta e a meia calca dentro da água
6. Espera até o ovo ficar cozido

A casca de cebola faz com que a tinta penetre de forma diferente na casca do ovo, gerando uma textura de cores muito interessante. A meia calca serve para que a casca de cebola não caia enquanto o ovo está dentro da água. Posterirmente pode-se fazer outros desenhos raspando a tinta da casca.

No domingo pela manhã a família se arruma na sua melhor roupa de domingo para receber os parentes para um verdadeiro banquete de páscoa. Saladas, frutas, peixes, frios, e é claro, muitos ovos! A técnica para comer os ovos é bem peculiar: não pode simpleslmente quebrar a casca, cada pessoa pega um ovo e, em duplas, batem um contra o outro. O perdedor (ou seja, o que tiver a casca quebrada) pode comer, enquanto o outro deve continuar competindo até que seu ovo quebre também. Ao visitar alguém na páscoa é tradicão levar pelo menos um dos seus ovos e fazer a trocar por um dos ovos do anfitrião.

Trakai
O domingo de páscoa foi o único dia de sol pleno na Lituânia (São Pedro não estava do meu lado nesse feriado). A tarde, após toda a comilanca, fomos visitar Trakai, um vilarejo que fica a 27 quilômetros de Vilnius e que tem como atracão o Castelo de Trakai, o mais famoso da Lituânia. Costruido pelo Grão-Duque Gediminas no século 13, o castelo localiza-se em uma ilha no meio de um lago, uma paisagem realmente bela.





No verão o castelo abriga diversos festivais de música e teatro, e é muito comum as pessoas passarem o domingo em volta do castelo, fazendo piqueniques ou nadando no lago.

Trakai é também o reduto do menor grupo étnico da Lituânia, os Karaites (não confunda com Karalius, que significa rei em Lituano). Os Karaites são um grupo étnico de origem Turca, com práticas religiosas semelhantes ao Judaísmo, e que atualmente consiste em apenas 200 pessoas em toda a Lituânia.

Uma típica casa dos Karaites, com três janelas na frente e uma porta ao lado


Ùltimo dia
Segunda era dia de visitar a avó da Laura, que mora em Kazlų Rūda, uma minúscula cidadezinha a 150 quilômetros de Vilinus. A viagem foi muito bonita e, apesar do mau tempo e dos campos ainda estarem cinza, foi possível apreciar a bela paisagem do interior da Lituânia. E o que esperar da visita à casa de uma avó durante a páscoa? Muita comida e bebida! Acho que nunca comi tanto em 24 horas como nesse feriado.

A noite voltamos para Vilnius e, como despedida, fomos para o centro da cidade curtir a noite lituana. No entanto, devido ao feriado, muitas pessoas viajaram para fora da cidade e alguns lugares estavam até fechados. Mesmo assim entramos em uns 3 bares diferentes, tomamos várias Kočėlas (uma seqüência de 6 bebidas lituanas, todas com teor alcoolico acima dos 40%), no melhor estilo lituano de beber (para quem não conhece o estilo lituano de beber, apenas uma dica: procure sentar-se à mesa entre duas mulheres).

Com pena de perder o meu avião, que partia as 6:40, tivemos que abandonar os trabalhos para buscar a minha mala e rumar direto para o aeroporto. Enfim, ainda consegui dormir umas 2 horas no vôo antes de ir trabalhar na terca.

Resumindo...
A Lituânia é um país muito bonito, mas o que realmente me cativou foram as pessoas. Talvez eu não tenha uma base muito boa para fazer essa afirmacão, pois convivi apenas com a família e os amigos da Laura, conseqüentemente pessoas com comportamento e afinidades semelhantes (quem conhece a Laura sabe do que eu estou falando). Mas comparando com os Finlandeses, os Lituanos são pessoas muito mais extrovertidas e "calorosas". Outra coisa que me chamou a atencão (e que acho que estou sentindo falta) foi o convívio familiar, semelhante ao que temos no Brasil. Aqui na Finlândia, todo mundo sai de casa aos 16 ou 17 anos e vai morar sozinho. Talvez isso contibua um pouco para uma certa frieza nas relacões humanas.

Sem mais filisofias baratas, a Lituânia definitivamente entra para a lista de lugares que eu pretendo visitar novamente.

quinta-feira, abril 13, 2006

Rumo a Lituânia!

Daqui a algumas horas embarco pra Lituânia, onde vou passar o feriadão de páscoa em companhia da Laura e sua família!

Feliz páscoa para todos, na volta conto as novidades do leste europeu.

O Milagre da Vida

Já é primavera e parece que a natureza resolveu levar a sério essa história de estacões do ano. Faz aproximadamente uma semana que a temperatura está acima de zero, sendo que no domingo passado tivemos 8 graus positivos durante o dia! Diga-se de passagem, um dia ensolarado e com um pouco de vento que me lembrou o nosso inverno gaúcho...

No centro praticamente já não há mais neve nas ruas, e uma nova cidade aparece diante dos meus olhos. É como se eu estivesse em outro lugar, caminho pelas ruas e consigo ver o paralelepípedo do calcamento, os desenhos na calcada, os bancos na praca. Os bares comecam a botar as mesas na rua. Os riachos que cruzam a cidade, outrora congelados, se transformam agora em lamecentas corredeiras de água. O que era branco e estático agora ganha cor e movimento.

Mas o que mais me impressiona é o fato de, poucos dias após a neve degelar, uma grama que ficou 7 meses embaixo de metros e metros de neve comeca a brotar novamente. Que teimosia essa da natureza (e que dirá do homem) de insistir em (sobre)viver em uma terra tão inóspita como essa...



sábado, abril 08, 2006

O Trabalho

Infelizmente a vida não é só viagens e festas, de vez enquando a gente tem que trabalhar também...

Trabalho numa empresa chamada Vega Technologies, que recentemente foi comprada pela Tieto-X. No momento eu realmente não sei pra quem eu trabalho oficialmente, mas na real isso não faz a menor diferenca. Estando na Finlândia, o ramo de trabalho não poderia ser outro senão o desenvolvimento de software para dispositívos móveis (leia-se celulares e outras parafernálias da Nokia).

Estou gostando bastante de trabalhar aqui. A sede da empresa é um prédio novo e super moderno, e os colegas de trabalho, apesar de um pouco tímidos e quietos, são bem legais. Inicialmente tivemos um treinamento de duas semanas e comecamos a trabalhar em um projeto interno da empresa, algo como uma continuacão do treinamento mas com cara de trabalho de verdade. Muito melhor do que deixar o pessoal brincando na internet até aparecer alguma coisa pra fazer. Mas aconteceu de, no meio desse projeto eu ser chamado para um projeto de verdade, com um cliente de verdade!

Eu e mais dois colegas (um colombiano ex-AIESECo e um Finlandês) fomos "vendidos" para trabalhar em um projeto da Nokia. Não posso revelar detalhes pois o pessoal por aqui é extremamente paranoico em relacão à seguranca das informacões. Mas posso dizer que estou trabalhando com o Nokia 770, que roda Linux ao invés daquele maldito Symbian OS (OK, o tal de Symbian é até interessante mas...). Segunda-feira eu me mudo para trabalhar na sede do cliente, que fica a uns 300 metros da Vega. Vamos ver como serão as coisas no novo ambiente de trabalho!

sexta-feira, abril 07, 2006